20/05/2019 20h36 - Atualizado em 20/05/2019 20h36

Fé, Chuva e Solitude

“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.” – Hebreus 11:1

Fé, Chuva e Solitude
Imagem: Reprodução

Papai me perguntou seu eu me lembrava o que era fé. Prontamente respondi e me lembrei: fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem (Hebreus 11:1). Agradeci.

Mamãe me escreveu: “A fé brilha mais intensamente se confiarmos como criança.” Levantei do confortável sofá, me dirigi a cozinha, chorei algumas lágrimas respirando fundo e… Parei. “A criança confia plenamente! Ela pode não ver e não olha para as circunstâncias contrárias e dificuldades, ela simplesmente confia no seu pai e tem certeza de que, aconteça o que acontecer, ele vai resolver, e cuidar, e tudo vai ficar bem”, pensei. Agradeci. Eu quero essa fé que alguém escreveu: a fé simples e descomplicada de uma criança.

Limpando as lágrimas e silenciando a face, voltei ao sofá e ouvi a chuva. A chuva estava caindo lá fora, e eu só queria escutar. “Para, para, para! Para gente… Ouçam isso.” A chuva… Entre gargalhadas e ruídos, eu ouvia um pouquinho da chuva, e desejava “entrar lá fora” e ouvir, somente ouvir a chuva. A chuva, e nada mais. Silêncio. E chuva. A chuva que caía derretida lá fora, semelhante a que está caindo dentro, em mim. Havia um laço, uma conexão que eu não pude entender.

Voltei para casa, quis fazer algo, arrumar tudo e dormir. Fui chamada a varanda, por meu Deus, para ouvir a chuva.

- Olhe a chuva, querida.

- Mas não vejo a chuva, meu Pai! Vejo um prédio em minha frente, grande e largo, tapando toda a minha visão. Pouco acima dele, um canto estreito de um céu nublado. Pela noite, alaranjado. Nuvens alaranjadas e cinzentas ao mesmo tempo. E ouço a chuva. Apenas ouço o barulho da chuva, pingando, seus pingos molhados. Pequenos e grandes, intercalados. Shhh….

- Ouça mais um pouco, minha menina.

- Estou tentando, Pai, mas tem tanto barulho! Motos passando, carros, o guardinha da noite, ruídos tantos! Tantos ruídos…

- Ouça, minha filha!

- Tem um grilo também, Papai. Se eu parar e notar bem, posso ouvir um grilo ao fundo, que não para de soar. Ele está lá, e não sai. É como o Senhor, não é?

- Você não pode ver a chuva, filhinha, mas sabe que ela está lá. Correndo e pingando, regando o solo nesta noite escura e alaranjada, confusa. E você sabe que deste solo vai brotar, vai germinar… Haverá flores amanhã. Você vê muralhas grandes que não te deixam enxergar além e ver o que existe do outro lado, ou mais a frente. E você ouve ruídos, barulhos que te distraem, te confundem e não permitem a quietude em teu coração. Mas, “pare, pare, pare! Pare, filha minha, e ouça isto. A chuva… Minha água corrente de Amor, que corre com fidelidade e rega o solo, nesta noite fria e alaranjada, pra fazer brotar amanhã, germinar e florir. Flores, meu bem… É preciso cuidado, da água que rega a terra, e da luz, que ilumina, aquece e faz crescer. Estou contigo, meu amor. Fé, chuva e solitude.

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” - Salmos 119:105

“O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” - Salmos 30:5b

Fonte: Diário de Ananda Ribeiro

 

 

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