16/12/2018 17h30 - Atualizado em 16/12/2018 17h30

A Graça e o Escândalo da Cruz!

O amor que nos constrange!

A Graça e o Escândalo da Cruz!
Foto Divulgação.

Há um ditado popular que diz que “Deus escreve certo por linhas tortas”. Não vou discutir aqui se tal adágio está teologicamente correto ou não, mas não há dúvida de que as coisas no Reino de Deus não funcionam segundo a lógica humana.

Uma dessas coisas é a graça. Segundo a lógica humana, os fortes e valentes merecem um grande prêmio pelas suas façanhas, enquanto os fracos merecem um lugar inferior. Assim, muitos homens se gabam de suas conquistas e se sentem superiores aos demais.

Mas Deus parece ter um prazer especial em desafiar a lógica humana. Por isso Jesus andou na companhia de pessoas de reputação duvidosa (aos olhos humanos) ao invés de se afastar delas, como faziam os fariseus. Por isso o salmista disse que: “[Deus] levanta do pó o pobre, e do monturo ergue o necessitado, para o fazer sentar com os príncipes, sim, com os príncipes do seu povo” (Salmo 113.7-8).

A lógica humana diz: “Deus tem que me abençoar porque sou um bom cristão, dou dízimos, sou admirado pela minha espiritualidade, sou líder de um ministério, tenho um bom comportamento”. Deus diz: “tudo o que faço, faço porque amo o ser humano. As bênçãos que derramo, derramo por causa da minha graça”. Não há mérito nosso no que recebemos de Deus, os méritos são inteiramente de Jesus.

Quando pensamos em como Deus trata o orgulho, muitas vezes achamos que ele faz com que o orgulhoso passe por uma situação de constrangimento, por uma dura provação ou por perdas. Cremos que Deus “castiga” o orgulhoso dessa forma para que se torne humilde. Mas há um “castigo” de Deus muito maior para o orgulhoso, que é a graça. “Como assim?”, alguns podem perguntar. “Não é justamente o contrário?”

O orgulho leva o ser humano a achar que ele é bom e merecedor da bênção divina. Aí vem Deus, pega alguém lá debaixo e o levanta mais alto do que o orgulhoso e lhe mostra que a graça dele é muito superior ao orgulho humano.

Em 1936, durante os Jogos Olímpicos de Berlim, um atleta negro americano conquistou a medalha de ouro em quatro das principais modalidades do atletismo, incluindo as provas de 100m e 200m rasos. Hitler teve que engolir seco e colocar no bolso o seu orgulho ao ver Jesse Owens subir no lugar mais alto do pódio e deixar para trás os competidores que o líder nazista considerava serem de uma raça superior.

A graça é como um tapa na cara do orgulhoso. Paulo disse que o Evangelho do Cristo crucificado era um “escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1 Coríntios 1.23). Escândalo para os judeus e para os orgulhosos, mas demonstração de graça para os que creem. Para os orgulhosos, a graça e a cruz são inaceitáveis, pois ambas expõem a fraqueza humana e os orgulhosos tentam o tempo todo esconder sua pecaminosidade. Por isso a graça lhes soa como um castigo.

A boa notícia é que se a graça é um castigo para os orgulhosos, ela também é cura para os de coração quebrantado. A graça é a esperança para os que sofrem, para os que se sentem angustiados, para os que não veem uma luz no fim do túnel. Para esses, Deus diz: “Creia na minha graça, confie no meu amor. Não olhe para a aparência de sucesso de muitos ao seu redor nem para o aparente fracasso que você pensa sobre si mesmo, mas olhe para Jesus”.

A graça de Deus é a coisa mais incompreensível que há no Universo. Creio que é por uma razão: ela tira de nós qualquer possibilidade de mérito e de glória nossa. O agir da graça dá a Deus toda a glória, por isso é tão difícil compreendê-la e por isso ela é tanto escândalo quanto a própria cruz.

Via Alberto Redondo

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